NALDOVELHO - POESIA


A DANÇA DO TEMPO
NALDOVELHO
 
Na dança do tempo, o descompasso das horas,
ainda é noite aqui dentro, amanhece lá fora.
A porta entreaberta denuncia a loucura
o silêncio das coisas aumenta a clausura.
Na dança da vida, o descompasso do tempo,
calmaria aparente, tempestade aqui dentro.
E a insônia insistente não quer ir embora,
coração ainda sangra, vez por outra ainda chora.
Na dança dos versos, poemas que imploram,
nostalgia que eu temo, inquietudes que afloram,
Um sorriso aparente, um café, um cigarro,
uma dúzia de rosas ressecadas num jarro.
Na dança das águas, beija-flor foi pra longe,
voou bem depressa, se escondeu não sei onde.
Agora chove lá fora, secura aqui dentro,
as notícias que eu tenho são antigas, faz tempo.
Já são quase dez horas e a cidade nublada,
manhã fria de agosto, respiração afrontada,
O poema que eu tento não diz o que eu quero,
não sei se desisto, não sei se te espero.


Escrito por NALDOVELHO às 00h57
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NO DIA QUE EU FOR EMBORA

NALDOVELHO

 

No dia que eu for embora não quero ver em seus olhos a dor que hoje eu pressinto entranhada em você.

 

No dia que eu for embora quero luz de lua exibida, cheia de graça e enxerida, música ardida e profana, violões impunemente na praça e poetas, muitos poetas, a dizer do amor que eu tenho e do qual nunca abri mão.

 

No dia que eu for embora quero primavera de versos e que sejam viscerais e confessos, pois só assim terá valido a pena ter desafiado a peçonha dessa inquietude urgente, terrível e armada serpente, da danada da inspiração!

 

No dia que eu for embora quero madrugada molhada, uma saidera sem pressa, um brinde ao sol que não tarda e as minhas malas repletas de muitas e necessárias sementes, para que eu possa cultivar nos distantes as coisas que por aqui aprendi.

 

No dia que eu for embora quero um sapato novo e macio, camisa e calça de linho, algum dinheiro no bolso e um beijo de despedida daquela que causou tantas feridas e que fez nascer o poeta que acredita no amor que existe dentro de nós.

 

E que sejam assim mantidos os laços, escolhas, promessas, pois o amanhã é coisa incerta e ainda que tudo isto nos doa, é preciso continuar com o caminho, mesmo que não saibamos, se um dia vamos conseguir chegar a algum lugar.

 

 



Escrito por NALDOVELHO às 22h47
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AO AMOR E A COMPREENSÃO

NALDOVELHO

 

Existe um conflito lá fora que esconde um outro que rola dentro de cada um de nós. E os sinais são bem evidentes no mais simples dos movimentos de raiva ou de constrangimento, no trânsito engarrafado, nas filas dos supermercados, no vai e vem das pessoas, anestesiadas, inconscientes, aglomeradas pelas ruas dessas cidades nubladas e no campo, lugares ermos, inóspitos, onde o instinto precede o bom senso e a razão.

 

Existe um conflito lá fora que esconde um outro que rola dentro de cada um de nós. E os sinais são bem evidentes na agressividade enrustida, na bofetada incontida, nas palavras impensadas, farpas afiadas lançadas, na rejeição ao divergente, na discriminação ao diferente, no descaso às crianças, aos velhos, aos doentes e a toda a população carente das periferias das cidades, favelas, guetos, cortiços, ou ainda no campo, miseráveis escravizados, excluídos de tudo aquilo que julgamos civilizado.

]

Existe um conflito lá fora que esconde um outro que rola dentro de cada um de nós. E os sinais são bem evidentes na pedofilia nojenta, tão comum nestes dias, na mulher ultrajada e diariamente violentada, no fundamentalismo excrescente dos religiosos que vivem a perseguir sem descanso, a toda e qualquer outra escolha que não seja aquela que eles dizem sagrada ao Santo Nome de Deus.

 

Existe um conflito lá fora que esconde um outro que rola dentro de cada um de nós. E os sinais são bem evidentes nos políticos que sugam e espoliam o povo, na justiça promiscua que chafurda no lodo e em cada um de nós, que omissos nos acomodamos, permitimos e se houver a oportunidade, até participamos, pois é sempre mais importante levar vantagem, mesmo que seja ao custo da dor de um irmão.

 

Existe um conflito lá fora que esconde um outro que rola dentro de cada um de nós.  E os sinais são bem evidentes no AR-15 do traficante, nas bombas que explodem inclementes, na superioridade de um povo a massacrar um outro povo, no desrespeito constante ao direito do próximo, ou de quem esteja distante, afinal somos sempre dominantes pelos nossos motivos e razão.

 

Existe uma guerra lá fora que por nós será sempre permitida e que só será resolvida, quando a guerra que existe aqui dentro de cada um de nós, der lugar ao amor e a compreensão.

 



Escrito por NALDOVELHO às 22h26
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