NALDOVELHO - POESIA


EU SOU O AMOR E A COMPREENSÃO

NALDOVELHO

 

Sou feito ventania que varre do chão a folhagem, que carrega pras terras distantes: sementes, mensagens urgentes, cantigas, memórias, poemas, inquietudes colhidas da vida, miragens,  sonhos e ilusões.

Sou quem pelos caminhos procura a fonte de tanta loucura... Sou um andarilho, um viajante sem porto, sem pátria e abrigo. Sou feito corredeiras de um rio, que pela força das águas invade, terras estranhas, selvagens e que ao alargar em seu curso as fronteiras altera toda a paisagem, e por mais que não se queira, trago comigo a renovação.

Sou também clarão de lua cheia que em noite trevosa ilumina quem pela vida campeia, sou quem por pura magia ensina ao viajante o caminho que vai levá-lo a um abrigo para que, após o repouso preciso, possa  seguir  a  jornada traçada  para  a sua evolução.

Sou feito encosta, rochedo, e o mar bravio é a vida, que na arrebentação me lapida, forjando a transformação.

Sou feito rastilho de fogo que queima e renova a paisagem, que tira das entranhas o pecado, a dor e o arrependimento, e faz explodir convulsiva a lágrima cristalizada por tanto tempo guardada. Eu sou a revelação!

         Sou feito palavra sagrada, sou chave que abre as portas, sou o descortinar dos segredos que vão exorcizar em ti todo o medo. Eu sou o amor e a compreensão

Escrito por NALDOVELHO às 18h42
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VIAGEM

NALDOVELHO

 

Raros poemas se insurgem dispersos, insistem em conjugar o verbo em versos, num tempo presente de cores ausentes, gasturas que a vida deixou pra nós dois.

Raros poemas ainda brotam feridos, paridos urgentes, extraídos do umbigo, revelam a dor que o poeta hoje sente, por tantas escolhas, feridas latentes, estilhaços cravados, caminhos errados, desgovernados os rumos por falta de aprumo e o verbo ainda teima em ser conjugado.

Raras sementes germinam coragem, sobrevive o sonho, rebelado, em meu peito, vida que segue, prossigo em viagem por esperas, quimeras, imagens, bobagens, ilusões de um tolo, sonhos, miragens.

Adormeci, criança, ao som de cantigas, acordei estiagem, madrugadas ardidas. Primavera de outubro, vento frio aqui dentro, inquietude evidente, nostalgia, tormento.

Janela da sala, vidraça embaçada e a porta de entrada permanece trancada. As horas, tão lentas, amanhecem sedentas, afogadas as rimas, embaralhados os versos, coração do poeta, já nem tenta, se ausenta.   

Primavera que explode plena de encantos, aqui dentro é inverno, faz frio e chove, e o poeta cansado já não esconde seu pranto.

Raras sementes se insurgem dispersas espalham coragem, apesar do inverno, de um tempo presente de cores ausentes, gasturas que a vida cultivou pra nós dois.

Raros poemas ainda sagram feridos, extraídos urgentes de dentro do umbigo, revelam chegadas, partidas, enganos, abismos, atalhos, sentimentos estranhos.

Raras palavras demonstram carinho, resquícios de um tempo de delicadeza onde tudo era sempre uma prova de amor.

Muita inquietude entranhada em meu peito, sobrevive o verbo, rebelado o sonho, vida que segue sem pensar no depois.     

Janelas e portas, fechaduras, tramelas, vidraça embaçada, visão distorcida, descompassos do tempo, desarranjos da vida, primavera de outubro, chuva fina de inverno, vento frio lá fora, desconforto aqui dentro, nostalgia das horas passadas faz tempo.

Um café, um cigarro, o dedilhar num piano, um poema escrito, o nome dele é engano. Coração do poeta não anda lá essas coisas, pelas vias de acesso, tantos restos, dejetos, pelas rotas de fuga muitas pedras, entulhos.

Lá fora amanhece, aqui dentro anoitece.  O radio ligado traz notícias dos longes, das coisas que por aí acontecem... Só não sei de nos dois!

 

 



Escrito por NALDOVELHO às 20h50
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